Os Ingleses no Egipto – II

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Chamou-se a isto a Conferência de Constantinopla. O seu fim, todo louvável, era resolver a questão do Egipto. E ainda lá está, fina e subtil, a resolver! Alexandria ardeu, deixou de existir: o canal de Suez é patrulhado por canhoneiras inglesas: o general Sir Garnet Wolseley marcha sobre o Cairo; a terra do Egipto é terra britânica – e ela ainda lá está, a resolver!

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Published in: on 28/09/2013 at 23:18  Comments (1)  

Os Ingleses no Egipto – I

Se el-rei conserva por trás do palácio alguns regimentos fiéis, enverga nesse momento a farda de generalíssimo e manda acutilar o seu povo: se desgraçadamente, porém, os soldados estão unidos aos cidadãos, então el-rei declara-se coacto, pede a um rei vizinho, mais forte e menos atarantado, que lhe mande uma divisão, a restabelecer a ordem – isto é, a assegurar a sua majestade a sua soma intacta de autoridade régia, dispersando a tiro a tentativa de liberdade pública. Isto hoje já realmente se não usa na Europa: mas no Oriente, ao que parece, é ainda um método muito decente de acalmar os descontentamentos nacionais.

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Published in: on 03/02/2011 at 18:51  Deixe um Comentário  

A Irlanda e a Liga Agrária


Há também outra coisa que se percebe bem: é que a população trabalhadora da Irlanda morre de fome, e que a classe proprietária, os land-lords, indignam-se e reclamam o auxílio da polícia inglesa quando os trabalhadores manifestam esta pretensão absurda e revolucionária – comer!

(…) Como os terrenos são pobres, os invernos abomináveis, o pobre rendeiro não pode pagar: dirige-se então ao agiota – ou ao lorde mesmo.  E desde esse momento está numa rede de dívidas, letras, colheitas empenhadas, juros acumulados, protestos, o demónio – de que jamais se poderá desenredar.

O resultado é previsto: o lorde (pelo seu agente) penhora-o, apossa-se do grão que está nos celeiros, do gado que está nos currais, do pequeno bragal que está na arca, das arrecadas da mulher, das enxergas – e expulsa-o da casa e da propriedade: da casa que ele talvez construiu, da propriedade que ele com o seu trabalho melhorou!

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Published in: on 21/03/2010 at 04:03  Deixe um Comentário  

Israelismo

Na Meia Idade, todas as vezes que o excesso dos males públicos, a peste ou a fome desesperava as populações; todas as vezes que o homem escravizado, esmagado e explorado mostrava sinais de revolta, a Igreja e o príncipe apressavam-se a dizer-lhe:
«Bem vemos, tu sofres! Mas a culpa é tua. E que o judeu matou Nosso Senhor e tu ainda não castigaste suficientemente o judeu.» A populaça então atirava-se aos judeus: degolava, assava, esquartejava, fazia-se uma grande orgia de suplícios; depois, saciada, a turba reentrava na treva da sua miséria a esperar a recompensa do Senhor.
Isto nunca falhava.
Sempre que a Igreja, que a feudalidade, se sentia ameaçada por uma plebe desesperada de canga dolorosa – desviava o golpe de si e dirigia-o contra o judeu.
Quando a besta popular mostrava sede de sangue – servia-se à canalha sangue israelita.
É justamente o que faz, em proporções civilizadas, o senhor de Bismarck.

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Published in: on 10/01/2010 at 03:09  Comments (1)  

Literatura de Natal

“Eu às vezes pergunto a mim mesmo o que é que em Portugal lêem as pobres crianças. Creio que se lhes dá Filinto Elísio, Garção, ou outro qualquer desses mazorros sensaborões quando os infelizes mostram inclinação pela leitura. (…) Em lugar disso, apenas a luz do entendimento se abre aos nossos filhos, sepultamo-la sob grossas camadas de latim! Depois do latim acumulamos a retórica! Depois da retórica atulhamo-la de lógica (de lógica, Deus piedoso!). E assim vamos erguendo até aos céus o monumento da camelice!
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Published in: on 23/12/2009 at 01:50  Deixe um Comentário  

O Natal

Os filósofos afirmam que isto há-de ser sempre assim: o mais nobre de entre eles, Jesus, cujo nascimento estamos exactamente celebrando, ameaçou-nos, numa palavra imortal, «que teríamos sempre pobres entre nós». Tem-se procurado com revoluções sucessivas fazer falhar esta sinistra profecia – mas as revoluções passam e os pobres ficam...
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Published in: on 08/12/2009 at 01:03  Deixe um Comentário  

O Inverno em Londres

Londres, apenas habitada pela turba abjecta, torna-se sobre a face da Terra como a lamentável Cacilhas. Nenhum gentleman que se respeite e queira manter o seu bom nome social ousaria confessar que esteve em Londres em Janeiro: correria o risco de ser tomado por um tendeiro, ou, pior, por um filósofo, um poeta, um desses seres rastejantes, vis como o lixo, sem castelo e sem matilha de cães, que nenhuma lady quereria ter no seu «rol de visitas».
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Published in: on 30/11/2009 at 17:58  Deixe um Comentário  

Acerca de Livros

Quem hoje encontrar, em algum intrincado ponto do globo, um sujeito de capacete de cortiça, lápis na mão, binóculo a tiracolo, não pense que é um explorador, um missionário, um sábio coligindo floras raras – é um prosador inglês preparando o seu volume.
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Published in: on 23/11/2009 at 18:09  Comments (1)  

Afeganistão e Irlanda

Em 1847, os Ingleses – «por uma razão de estado, uma necessidade de fronteiras científicas, a segurança do império, uma barreira ao domínio russo da Ásia…» e outras coisas vagas que os políticos da Índia rosnam sombriamente retorcendo os bigodes – invadem o Afeganistão, e aí vão aniquilando tribos seculares, desmantelando vilas, assolando searas e vinhas: apossam-se, por fim, da santa cidade de Cabul; sacodem do serralho um velho emir apavorado; colocam lá outro de raça mais submissa, que já trazem preparado nas bagagens, com escravas e tapetes; e logo que os correspondentes dos jornais têm telegrafado a vitória, o exército, acampado à beira dos arroios e nos vergéis de Cabul, desaperta o correame e fuma o cachimbo da paz… Assim é exactamente em 1880...
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Published in: on 16/11/2009 at 16:31  Comments (3)