Todos os que conhecem a história contemporânea de Portugal e de outros curiosos países constitucionais sabem bem o que significa esta deliciosa frase: «El-rei está coacto!» Isto quer dizer que sua majestade se acha em palácio, cercado de uma populaça carrancuda que agarrou em chuços, arranjou uma bandeira no alto de um pau e vem impor esta fórmula prodigiosamente desagradável para el-rei: diminuição de autoridade régia e aumento de liberdade pública…
Se el-rei conserva por trás do palácio alguns regimentos fiéis, enverga nesse momento a farda de generalíssimo e manda acutilar o seu povo: se desgraçadamente, porém, os soldados estão unidos aos cidadãos, então el-rei declara-se coacto, pede a um rei vizinho, mais forte e menos atarantado, que lhe mande uma divisão, a restabelecer a ordem – isto é, a assegurar a sua majestade a sua soma intacta de autoridade régia, dispersando a tiro a tentativa de liberdade pública. Isto hoje já realmente se não usa na Europa: mas no Oriente, ao que parece, é ainda um método muito decente de acalmar os descontentamentos nacionais.
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